Coco On Apresenta Biomateriais Sustentáveis e Valoriza a Cultura Indígena por meio do Design e da Inovação
A Coco On Biomateriais, startup brasileira fundada pelas Diplomatas Civis Paola Duarte, Pamella Campos e Luciana Matosinhos, levou a cultura e os saberes ancestrais do povo Pataxó à CASACOR Minas 2026.
A iniciativa reuniu sustentabilidade, inovação e valorização cultural na exposição Matéria Ancestral, realizada nos dias 26 e 27 de setembro, em Belo Horizonte.
A programação aconteceu no Pavilhão OCA e contou com a participação de representantes da Aldeia Pataxó Mata Medonha, localizada em Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia.
Durante os dois dias, a comunidade apresentou manifestações culturais, participou de atividades interativas e conduziu rodas de conversa.
Assim, arquitetos, designers e visitantes conheceram diretamente os saberes e as tradições transmitidos entre gerações.
A iniciativa também destacou a importância de reconhecer a autoria indígena na criação de produtos contemporâneos, especialmente no universo do design brasileiro.
Coco On: Sustentabilidade e Valorização dos Saberes Ancestrais
Fundada em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, a Coco On transforma resíduos de fibras naturais, especialmente a fibra de coco, em materiais destinados à arquitetura, ao design de interiores e à construção civil.
Seu trabalho estabelece conexões entre pesquisa tecnológica, produção artesanal e comunidades tradicionais. Dessa forma, a startup procura desenvolver produtos sustentáveis que valorizem os territórios e promovam oportunidades econômicas.
Esse modelo recebeu o nome de Inteligência Artesanal, conceito que orienta a criação de materiais em colaboração com comunidades artesãs.
A metodologia procura reconhecer a origem dos conhecimentos utilizados, identificar seus criadores e ampliar as possibilidades de remuneração pelo trabalho desenvolvido.
Entre seus compromissos estão a valorização dos saberes ancestrais, a autonomia econômica feminina, a formação de novos talentos e o aproveitamento de resíduos agrícolas e industriais.
Matéria Ancestral: Cultura Pataxó no Centro do Design
Realizada entre 15 de agosto e 6 de outubro, a CASACOR Minas 2026 teve como tema Mente e Coração. A edição aconteceu no campus PUC Minas Lourdes, em Belo Horizonte.
A Coco On participou de sete ambientes da mostra e apresentou oficialmente seus produtos ao mercado brasileiro.
Um dos destaques foi a Poltrona Origem, criada a partir dos grafismos da Aldeia Pataxó Mata Medonha. A peça contou com o trabalho dos tecelões da Traço Um e da Amplio.
A empresa também apresentou tijolos produzidos com fibra de coco, luminárias feitas com resíduos de couro da Indústria Doimo e peças de barro modeladas por uma mestra artesã de Minas Gerais.
Outro destaque foi a coluna Caule, prévia da Coleção Origens, desenvolvida com os arquitetos Marcus e Assis.
Essas criações demonstram possibilidades de aplicação de matérias-primas brasileiras em projetos de arquitetura, decoração e construção civil.
Reconhecimento da Jethro International e Compromisso Humanitário
Em 28 de abril de 2026, durante uma cerimônia realizada em Cascais, Portugal, a Coco On recebeu o Prêmio Martin Luther King, concedido pela Jethro International.
A realização da exposição Matéria Ancestral representa uma continuidade desse trabalho, ao aproximar comunidades tradicionais de profissionais, instituições e mercados ligados à economia criativa.
Nesse contexto, a Diplomacia Civil Humanitária encontra expressão em iniciativas que estimulam o respeito à diversidade cultural, a inclusão produtiva e a valorização dos conhecimentos tradicionais.
Para Paola Duarte, a participação indígena deve ultrapassar o reconhecimento simbólico:
“Os Pataxó estavam aqui antes de o Brasil ter nome. Levá-los ao centro da CASACOR Minas não é homenagem, é reconhecimento de autoria. A Coco On existe para provar que o saber ancestral é tecnologia, e que o mundo está pronto para pagar o valor justo por ela.”
A declaração reforça a proposta de estabelecer relações mais equilibradas entre a produção artesanal, a criação contemporânea e o reconhecimento econômico dos conhecimentos compartilhados.
Da Bahia ao Cenário Internacional
Além da participação na CASACOR Minas, a Coco On desenvolveu uma trajetória de apresentações e reconhecimentos no Brasil e no exterior.
Em novembro de 2025, durante a COP30, em Belém, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Rede Mulher Florestal, da Embrapa. A startup também foi selecionada entre as dez principais startups da COP30.
Em abril de 2026, participou do Fuorisalone, em Milão, com a Poltrona NINHO, desenvolvida em colaboração com Geraldo Coelho e apresentada no Brera Design District.
Posteriormente, em setembro, levou a Coleção Origens à Maison&Objet, em Paris, no Pavilhão Brasil, com curadoria de Bruno Simões.
Essas participações ampliaram a presença da marca nos circuitos internacionais de arquitetura e design, além de apresentar novas possibilidades para os biomateriais brasileiros.
Novas Parcerias para Ampliar o Impacto Social
Após a exposição Matéria Ancestral, a Coco On busca ampliar suas conexões com investidores, instituições, profissionais de arquitetura e parceiros internacionais.
Entre seus objetivos estão o fortalecimento da capacidade produtiva das comunidades parceiras, a pesquisa de novos biomateriais e a formação de artesãos.
Aproximar inovação tecnológica e conhecimentos tradicionais é uma proposta de desenvolvimento que associa sustentabilidade, geração de renda e valorização cultural.
Sua trajetória demonstra como o design pode contribuir para conectar comunidades, setores produtivos e diferentes mercados, preservando a identidade e a cultura dos criadores.





















